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Por Ester, viúva de Bruno De Leon
A dor de perder alguém querido é imensurável, mas torna-se ainda mais insuportável quando essa perda poderia ter sido evitada. Meu nome é Ester, e estou aqui não apenas por mim, mas pelo nosso filho, pela família e pelos amigos do Bruno, para que ninguém mais precise passar pelo sofrimento devastador que estamos vivendo.
Há mais de dois anos, Bruno começou a sentir dores abdominais e, após exames, descobrimos que ele tinha cálculos biliares, a famosa “pedra na vesícula”. O tratamento indicado foi a cirurgia de remoção da vesícula, um procedimento simples e rotineiro. No entanto, mesmo após a indicação da cirurgia, ele não foi chamado para o procedimento, e os médicos nunca nos alertaram sobre os riscos graves que ele corria.
No dia 22 de dezembro do ano passado, Bruno teve uma crise mais intensa e foi diagnosticado com pancreatite leve, causada pela obstrução do canal do pâncreas por uma das pedras. Ele foi internado e tratado com antibióticos até o dia 24, quando pediu para terminar o tratamento em casa, pois sentia muita falta do nosso filho. O médico de plantão, Dr. Gabriel, liberou Bruno sem mencionar a gravidade do caso, orientando apenas que procurássemos o ambulatório para agilizar a cirurgia.
Os meses seguintes foram marcados por novas crises de dor, visitas à UPA e sucessivas liberações sem que a cirurgia fosse realizada. No dia 20 de fevereiro, Bruno teve outra crise forte. Passamos o dia no hospital, e novamente a resposta foi a mesma: “ele precisa da cirurgia com urgência”. No entanto, o médico apenas receitou analgésicos e nos mandou para casa.
No dia 22 de fevereiro, a dor se tornou insuportável. Bruno correu para o hospital sozinho, sem sequer esperar por mim. Ao chegar, encontrei-o pálido, suando e gritando de dor. Mesmo após várias doses de morfina, a única resposta que tivemos foi de um cirurgião, Dr. Pedro, que disse que não operaria porque “era sábado”. Mesmo implorando por ajuda, Bruno foi mantido no pronto-socorro, sedado com analgésicos, até que uma nova pancreatite foi diagnosticada e ele foi internado.
A internação, que deveria trazer alívio e tratamento adequado, se transformou em um pesadelo. No dia 23 de fevereiro, ele foi transferido para a UTI, mas os médicos minimizaram a gravidade do caso. A cada dia, as informações eram desencontradas, e insistiam que Bruno estava “melhorando”. O que não sabíamos era que, na realidade, sua condição se deteriorava rapidamente.
Os sinais de falência renal surgiram, e ele começou a fazer hemodiálise. Mesmo assim, os médicos garantiam que ele estava melhorando e que, se fosse necessário, seria transferido para um hospital mais equipado. Somente no último momento conseguimos, com muita luta, a transferência para o Hospital Dom Vicente Scherer, em Porto Alegre.
Foi apenas lá que soubemos a verdade: a negligência do hospital de Camaquã custou a vida do Bruno. Os médicos de Porto Alegre nos informaram que seu pâncreas já estava 100% necrosado e que ele estava em estado gravíssimo. Em uma reunião com especialistas, recebemos a pior das notícias: tudo isso poderia ter sido evitado com uma cirurgia simples de 25 minutos, que nunca foi feita.
Bruno resistiu por dias como um guerreiro, mas, no fim, não havia mais o que pudesse ser feito. No momento mais doloroso da minha vida, estive ao seu lado até seu coração parar de bater.
Agora, restam apenas perguntas sem resposta: por que não o transferiram antes? Por que não operaram sua vesícula em todas as vezes que ele pediu ajuda? Por que os médicos minimizaram sua dor e deixaram sua condição se agravar? Por que nos disseram que ele estava melhorando quando, na verdade, ele estava morrendo?
Não quero vingança, mas exijo justiça. Justiça por uma vida perdida por negligência médica. Justiça para que outras famílias não passem pelo que estamos passando. Justiça para que ninguém mais perca um ente querido por descaso e incompetência.
É necessário sim ,fazer justiça a essa família, pela perda precoce e o descaso com uma vida